terça-feira, novembro 04, 2008

Obamania

Dizem que a eleição deste homem, Barak Obama, pode mudar o mundo. É a primeira vez que um negro tem a forte possibilidade de ser eleito presidente americano. Não podendo ser este um fim em si mesmo, não deixa de ser histórico e simbólico para a humanidade tal facto.
Há quem não acredite e garanta que Obama não passa de um político de plástico - mais um - e o acuse de pertencer à dita esquerda caviar ou de ser um radial chic.
Confesso-me um pouco contagiado pela Obamania que tem varrido o planeta. Gosto de Obama por empatia, nada mais, uma espécie de amor à primeira vista. E isso é pouco. A sua eleição significa ver-me livre do pior presidente americano de todos os tempos, W. Bush. Já não é nada mau.
É provável que Obama venha a ser uma enorme desilusão, tendo em conta que são demasiado elevadas as expectativas em redor da sua eleição. Nestes tempos de crise, é comum surgirem os messias e os salvadores.
O mais certo é continuarem os mesmos dados. Alguns exemplos: todos os anos cerca de 18 milhões de pessoas (50 mil por dia) morrem por razões relacionadas com a pobreza, sendo a maioria mulheres e crianças; todos os anos cerca de 11 milhões de crianças morrem antes de completarem 5 anos; 1 bilhão e 100 milhões de pessoas, cerca de um sexto da humanidade, vive com menos de 1 dólar por dia; mais de 800 milhões de pessoas estão subnutridas.
Que Deus, digo, Barak Obama, não me queira dar razão.

4 comentários:

rui guerra disse...

caro rb, vejo que continuas enganado sobre o que se elege hoje nos EUA.
todos esses dados que indicas não são prioridade para nenhum presidente americano.
é verdade. a globalização tendeu para a crise económica e poderá haver alguma sensibilidade para diminuir as diferenças entre pobres e ricos. pelo menos até a crise parar, depois volta tudo ao mesmo.
nos próprios EUA, existem problemas vários de complexa resolução (desemprego, perda de poder de compra, entre outros assuntos económicos) e será para aí que vão concentrar-se as prioridades do novo presidente.
O sentimento Europeu relativamente às eleições americanas é essencialmente um complexo bélico e uma inferioridade também económica. Do género "quem nos defende dos maus" e por outro lado, "quem vai comprar os nossos luxuosos produtos", ou "frequentar os nossos hoteis, restaurantes tb eles luxuosos"! Traduzindo-se assim, esse embuste chamado "União Europeia" unicamente pela criação de um mercado comum capaz de rivalizar com os EUA, em termos de moeda, de n.º de consumidores, esquecendo-se dos direitos dos cidadãos, das tradições and so on...

PS. Para um cidadão da China, ou da India ou da Rússia (3 dos mais populosos países do planeta) será assim tão vital a eleição de um presidente americano (seja ele quem for)?

rb disse...

Meu caro Amigo,

Retiro das tuas palavras que o mundo vai continuar na mesma, com muita gente a viver com 1 dólar por dia.

Não vejo porque continuo "enganado". À grandeza cultural, económica, social, militar, económica, etc, da América (dizer "américa" é fixe) é inerente um poder e uma dimensão política além fronteiras, internacional, planetária. Poder esse que pode ser mais ou menos bondoso ...
Por isso continuo a dizer que prefiro os olhos de Obama a olhar pelo planeta, embora sem grandes ilusões. Alguma esperança, apesar de tudo.
Os chineses?
Devem estar algo preocupados em como vão escoar a sua crescente produção. Através de um dos continentes mais consumistas do planeta - the United States of America -, porque não?

Sandra Leite disse...

e ele ganhou. E agora?

rb disse...

Agora? Vamos festejar, cara amiga. Depois se há-de ver.